Varzelândia

A povoação da região onde hoje se encontra Varzelândia está ligada a colonização do norte de Minas e ao Ciclo do Boi, quando os rebanhos vinham do norte do país pelo rio São Francisco abastecer as mineradoras.

Com esse processo surgiram várias fazendas, e Varzelândia – a cidade das várzeas – dai se originou. Dentre os seus fundadores, Josué Soares dos Reis, Gregório Gomes Ferreira, Melquíades Francisco Borges, Santos Gonçalves de Sousa, Bernardo Vermelho e João Borges Rego foram os principais. A origem do município está no distrito de São João da Ponte, do qual Varzelândia se emancipa em 3 de março de 1962.

Quilombolas e assentamentos
Localizados nas margens do rio Arapuim, afluente da margem esquerda do rio Verde Grande, na divisa dos municípios de São João da Ponte e Varzelândia, no Norte de Minas Gerais, a história de Brejo dos Crioulos é uma história que ainda não consta da historiografia dos brancos que ocuparam o Norte de Minas desde dos primórdios da colonização portuguesa, nos idos do século XVI.

Conforme relatos, desde meados do Século XVII, negros fugidos da escravidão passaram a se fixar às margens da Lagoa Peroba, existente na vazante do médio ribeirão Araquém. A ocupação dessa área foi possibilitada pela existência de brejo na vazante do referido ribeirão, propícia à proliferação da maleita, que a tornava imprópria para brancos e indígenas.Com o passar do tempo, muitos outros negros fugidos se dirigiram para a área, aumentando a população que no final do Século XIX era de 38 troncos familiares. Nesse contexto, as famílias aqui localizadas desenvolveram um sistema peculiar de organização social, cultural e produtiva, baseada em heranças africanas, indígenas e portuguesas.

A partir dos anos 1960, com a expansão agrícola no Norte de Minas, fazendeiros utilizando-se de recursos violentos, como jagunços armados, passaram a grilar e a tomar as terás de diversas famílias herdadas de seus ancestrais, utilizando o artifício da venda forçada, conforme diversos estudiosos da região.

No caso de Brejo dos Crioulos, algumas famílias mudaram-se para outras localidades e, outras, se fixaram em ‘terra de santo’, existente na localidade (Terra de Santo constitui-se de uma gleba de terra doada a Bom Jesus por um dos moradores como pagamento de promessa. Com a expulsão de diversas famílias das terras de seus ancestrais, muitos dos membros da comunidade, não querendo afastar do território, onde sempre viveram passaram a ocupar essa gleba. Tal ocupação deu origem ao povoado de Araruba, onde residem os deserdados da terra.)

Referencia do centro de apoio de brejo dos crioulos
Geografia
O Varzelândia está localizada entre o Rio São Francisco e Rio Verde Grande e ao sul pelo Rio Arapuim. O município tem a altitude média de 761 m.

A região encontra-se num ambiente de transição entre o cerrado e a caatinga, fornecendo um variado padrão de subsistência, e tem como rio mais importante o Verde Grande, afluente da margem direita do São Francisco. As elevações da serra do Sabonetal ─divisor de águas entre o São Francisco e o Verde Grande─ amenizam o clima em certas zonas onde ocorre floresta latifoliada tropical.

O relevo apresenta formação da série Bambuí, cujos paredões calcários caracterizam-se por grande quantidade de aberturas de formas irregulares (abrigos, cavernas ou lapas, como são localmente conhecidas), outrora escavadas por rios de considerável volume d’água, hoje reduzidos a córregos. É nestas formações que se localiza a maioria dos sítios arqueológicos, sejam eles temporários ou de ocupação prolongada.

Montanha Rochosa de Varzelândia
Sítios arqueológicos
A região se destaca pela grande quantidade de sítios arqueológicos. Existem aproximadamente 50 sítios cadastrados, até o momento, pela equipe do Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB, dentre os quais 11 foram selecionados e escavados no âmbito do Programa de Pesquisas Arqueológicas em Grutas do Estado de Minas Gerais.

Nomes de alguns sítios: Aldeia de Macaúbas, Lapa da Pintura, Lapa do Mutambal, Lapa do Piquenique, Lapa do Vicente, Macaúba I e II, /Lapa de Macaúbas, Gruta de Carrancas I, Lapa do Urubu. Sítio Boqueirão Soberbo apresenta os mais antigos vestígios de horticultura no país.

Arte Rupestre
Apesar da arte rupestre estar em todo aquele Estado, é em Varzelândia que ela chama mais atenção. A caverna brasileira é a conhecida Lapa da Lagoa. Ali, segundo estudos já feitos, o homem viveu há perto de 10000 anos e deixou pintadas nas paredes, com tinta vermelha e preta, imagens de alguns animais, do Sol, da Lua, e figuras semelhantes a discos voadores.

A partir de 1970, com o início do Programa de Pesquisas no Vale do São Francisco, o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) vem localizando ao longo do curso do rio uma série de sítios arqueológicos. As pesquisas terminaram por concentrar-se em três diferentes regiões do território mineiro: a Serra do Cabral, no centro do Estado, Varzelândia, ao norte, e Unaí, a noroeste. A arte rupestre de cada uma destas regiões apresenta diferenças quanto à técnica de execução, estilo, tratamento, temática e concentração das figuras.

Solo
Solo de calcário arenoso, de boa fertilidade, terras profundas e de boa drenagem. São latossolos originados de rochas calcárias. O solo da várzea é muito propício para o cultivo de cana-de-açúcar. A região norte do estado de Minas Gerais tornou-se um grande produtor de cana-de-açúcar, o que propicia um novo rumo na economia da região.

Fauna
Os animais mais comuns da região são Preá, soim, corrupião, onça-parda, tamanduá-mirim. Espécies de anfíbios como sapo-boi.

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